Questão 23 do Enem 2023: Os Jetsons e as construções de gênero
Nos outros cadernos: amarelo 7 · rosa 28 · branco 30 · laranja 28 · leitor tela 28
TEXTO I
Zapeei os canais, como há dezenas de anos faço, e pá: parei num que exibia um episódio daquela velha família do futuro, Os Jetsons.
Nesse episódio em particular, a Jane Jetson, esposa do George, tratava de dirigir aquele veículo voador deles. Meu queixo foi caindo à medida que as piadinhas machistas sobre mulheres dirigirem foram se acumulando. Impressionante! Que futuro careta aqueles roteiristas imaginavam! Seriam incapazes de projetar algo melhor, e não apenas em termos de tecnologias, robôs e carros voadores? Será que nossa máxima visão de futuro só atinge as coisas, e jamais as pessoas? Como a Jane, uma mulher de 33 anos no desenho, poderia ser o que foram as minhas bisavós?
O futuro, naquele desenho, se esqueceu de ser melhor nas relações entre as pessoas. Aliás... tão parecido com a vida.
Fiquei de cara, como dizemos aqui, ou como dizíamos na minha adolescência, pobre adolescência, aprendendo, sem querer e sem muita defesa, um futuro tão besta quanto o passado.
RIBEIRO, A. E. Disponível em: www.rascunho.com.br. Acesso em: 21 out. 2021 (adaptado).
TEXTO II
Masculino e feminino são campos escorregadios que só se definem por oposição, sempre incompleta, um do outro. São formações imaginárias que buscam produzir uma diferença radical e complementar onde só existem, de fato, mínimas diferenças. O resto é questão de estilo. Até pelo menos a segunda metade do século 19, o divisor de águas era claro: os homens ocupavam o espaço público. As mulheres tratavam da vida privada. Privada de quê? De visibilidade, diria Hannah Arendt. De visibilidade pública. Do que as mulheres estiveram privadas até o século 20 foi de presença pública manifesta não em imagem, mas em palavra. A palavra feminina, reservada ao espaço doméstico, não produzia diferença na vida social.
KEHL, M. R. Disponível em: https://alias.estadao.com.br. Acesso em: 19 out. 2021 (adaptado).
A representação da mulher apresentada no Texto I pode ser explicada pelo Texto II no que diz respeito à(às)
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como o texto II explica a imagem da mulher no texto I.
O que o texto diz
- Texto I: no desenho do futuro, piadas machistas sobre mulher no volante; “um futuro tão besta quanto o passado”.
- Texto II: masculino e feminino são “formações imaginárias que buscam produzir uma diferença radical […] onde só existem, de fato, mínimas diferenças”.
A resposta
Os roteiristas imaginaram tecnologia nova, mas mantiveram ideias antigas sobre as mulheres. O texto II explica isso pelas construções imaginárias cristalizadas na sociedade.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Jane não é censurada; é alvo de piadas. (22,8% marcaram)
- B
Foi a mais marcada. Jane dirige na rua, isto é, está no espaço público. (39,5% marcaram)
- D
Kehl diz que as diferenças são “mínimas”, não inerentes. (12,2% marcaram)
- E
Os papéis são atribuídos com facilidade demais, esse é o problema. (8,5% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.816.239 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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