Questão 26 do Enem 2022 PPL: o lobo-guará, “o lobo que não é mau”
Nos outros cadernos: amarelo 9 · rosa 12 · branco 19 · laranja 19
O lobo que não é mau
A primeira coisa a saber é que o guará não é, na verdade, um lobo. Embora seja o maior canídeo silvestre da América do Sul, sua espécie (Chrysocyon brachyurus) é de difícil classificação. Alguns cientistas dizem que é parente das raposas, outros, que é parente do cachorro-vinagre sul-americano. Mas, de lobo mesmo, ele não tem nada. Além disso, é um animal onívoro. Porém, em algumas regiões, a sua dieta chega a quase 70% de frutas, especialmente da lobeira, uma árvore típica das savanas brasileiras, que contribui para a saúde do animal, prevenindo um tipo de verminose que ataca os rins do guará.
O lobo-guará não é um animal perigoso ao homem. Não existe nenhum registro, em toda a história, de um guará que tenha atacado uma pessoa, mas, ainda assim, são vistos como “maléficos”. Por quê? Porque, em ambientes degradados, o lobo, para sobreviver, acaba atacando galinheiros ou comendo aves que são criadas soltas. Com a desculpa de “proteger sua criação”, pessoas com baixo nível de consciência ecológica acabam matando os animais.
Se não bastassem a matança e a destruição de ambientes naturais, o lobo-guará ainda apresenta grande índice de morte por atropelamento em estradas.
O fato é que o lobo-guará precisa de nós mais do que nunca na história.
FERRAREZI JR., C. Revista QShow, n. 20, nov. 2015 (adaptado).
Esse texto de divulgação científica utiliza como principal estratégia argumentativa a
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Resolução comentada
O que a questão pede
A principal estratégia argumentativa.
O que o texto diz
- O título “O lobo que não é mau” remete ao Lobo Mau dos contos.
- Os dados desmontam a fama: não é lobo, come frutas, “Não existe nenhum registro […] de um guará que tenha atacado uma pessoa”.
A resposta
O texto parte da imagem do lobo mau e a contraria com fatos. A estratégia é a intertextualidade, buscando contraponto numa famosa história infantil, confrontada com dados concretos e fatos históricos.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O texto não fala em afeto do animal. (12,1% marcaram)
- B
Foi a mais marcada. A perseguição aparece, mas não é o eixo da argumentação. (41,8% marcaram)
- D
Não há chantagem. (1,6% marcaram)
- E
As palavras não intimidam o leitor. (3,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 937 candidatos que fizeram a prova.
Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.
Em branco: 0% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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