Questão 122 do Enem 2011: o anúncio do Conar
Nos outros cadernos: amarelo 123 · cinza 126 · rosa 126

Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas nós não usamos esta palavra simplesmente porque não acreditamos que exista uma “Meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira. Existem a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? não arredondamos para 30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não acreditasse nela?
Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a punição.
Anúncio veiculado na Revista Veja. São Paulo: Abril. Ed. 2120, ano 42, nº 27, 8 jul. 2009.
O recurso gráfico utilizado no anúncio publicitário ― de destacar a potencial supressão de trecho do texto ― reforça a eficácia pretendida, revelada na estratégia de
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Resolução comentada
O que a questão pede
A estratégia que o risco no texto reforça.
O que o anúncio mostra
A frase exagerada riscada: “E ele é 100% eficiente nesta missão.”; “Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos […] seria uma mentira”; “não arredondamos para 30”.
A resposta
Um anúncio que corta o próprio exagero mostra, na prática, a propaganda honesta que defende. A estratégia é subverter o fazer publicitário pelo uso de sua metalinguagem.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a mais marcada. O corpo do texto importa. (38,9% marcaram)
- B
O “nós” é o Conar, não o leitor. (11,9% marcaram)
- C
A história é breve, não o argumento central. (14,2% marcaram)
- E
Não há jogo de palavras. (17,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.868.891 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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